Alfabetização

O CAPS Estação Novos Rumos iniciou, neste mês de agosto, o Projeto de Alfabetização dos usuários em parceria com a Coordenação Pedagógica da Secretaria de Educação do município de Sumé. Este projeto inovador é um sonho antigo da coordenação do CAPS que está sendo concretizado neste semestre graças a esta parceria significativa e de suma importância para todos.

A oficina de alfabetização  começou hoje com as pedagogas da Secretaria de Educação que proporcionaram um momento muito bacana e fizeram um diagnóstico para planejarmos as atividades da oficina. Os usuários ficaram muito felizes por estarem tendo esta oportunidade única e especial, pois  todos são pessoas carentes e com limitações severas e persistentes. E todos nós, estamos imensamente gratos pela disponibilidade e compromisso com a causa por parte da Coordenação Pedagógica e equipe.

Iniciamos esta oficina justamente no mês em que estamos discutindo no CAPS a temática “Direitos Humanos e Saúde Mental”. Desta forma, entendemos que é inadmissível numa civilização da escrita e de garantias de direitos ainda existirem pessoas que não sabem sequer assinar o seu próprio nome.

Dependência, Vício e Conexão

 

Este vídeo do canal Kurzgesagt é uma adaptação do livro  “Em busca do grito: os primeiros e últimos dias da guerra contras as drogas” de Johann Hari. Publicado em janeiro de 2015, o livro foi um best-seller do New York Times e  problematiza uma questão bastante interessante sobre a dependência das drogas e os vícios das pessoas, em geral.

De acordo com o vídeo, quando ficamos desconectados de amigos e familiares, isolados ou mesmo sentindo tédio, nos tornamos viciados em alguma coisa como  drogas, smartphones, videogames, trabalho, etc  com o intuito de suprir uma necessidade ou um vazio existencial.

Na verdade, a adicção com drogas ou sem drogas é uma das  consequência de uma sociedade sem perspectiva e sem uma razão para viver. Uma sociedade que privilegia as aparências, o apego ao consumismo e aos bens materiais, se desconectando do outro e da natureza, busca na dependência das drogas e nos vícios cotidianos um equilíbrio e  uma fuga para o seu mal estar.

Como diz o autor, “o oposto do vício não é a sobriedade. O oposto do vício é a conexão.”  Conexão tête-à-tête com o outro enquanto ser que tem valores e sentimentos.  Conexão é está junto de corpo e alma… É desejar se encontrar sempre, passear e estar próximos… Significa curtir momentos juntos. É conversar, discutir e se entender. É troca simultânea de carinhos… Enfim, significa calor humano.

OBS.: Ao assistir o vídeo, colocar legendas em português na opção settings (configurações) e subtitles (legendas).

Os Segredos de Sumé

 

A palavra Sumé, nome da nossa cidade que também já foi chamada São Tomé remete-se a uma história mística relativa a um personagem misterioso interessante. Segundo a lenda, este personagem está relacionado a uma entidade espiritual que apareceu no Brasil antes da colonização.  A música “Os Segredos de Sumé”  de Zé Ramalho refere-se a esta antiga entidade da mitologia dos povos tupis do Brasil cuja descrição variava de tribo para tribo. Tal entidade teria estado entre os índios antes da chegada dos portugueses e ter-lhes-ia transmitido uma série de conhecimentos, como a agricultura, o fogo e a organização social.

O padre Manuel da Nóbrega descreveu nas  Cartas do Brasil, por volta de 1549,  algumas lendas dos índios brasileiros sobre esta entidade espiritual denominada Sumé. Tal divindade teria aparecido de forma misteriosa e se tratava de um homem branco, que andava ou flutuava no ar e possuía longos cabelos e barbas brancas.

Segundo relatos, Sumé começou por ensinar ao povo da selva a arte da agricultura e depois habilidades como a de transformar mandioca em farinha e alguns espinhos em anzol, além de regras morais. Curava feridas e diversos males sem cobrar nada em troca. Tanta gentileza e tamanho poder  despertou sobre si o ódio e inveja dos pajés, culminando com emboscadas para Sumé numa certa manhã. Os documentos históricos contam que as flechas atiradas para  assassiná-lo, misteriosamente retornaram e feriram de morte os arqueiros atiradores. Os índios também ficaram então espantados com a facilidade como tal forasteiro extraía as flechas do seu corpo e  ainda  não escorrer sangue algum dos ferimentos. Na verdade, existem vários relatos de poderes transcendentais relacionados a Sumé. Segundo os jesuítas, quando este ser divino foi embora, deixou uma série de rastros gravados em pedras em alguns lugares do interior do Brasil.

Os colonizadores católicos criaram o mito de que Sumé era, de fato, o apóstolo cristão São Tomé, que, segundo a lenda, teria viajado para a Índia para pregar o cristianismo.  Entretanto, encontram-se características relativamente parecidas a São Tomé na divindade de Viracocha, entidade cultuada por povos incas exatamente onde termina a trilha de Peabiru. Tal mito existe em parte da América do Sul (Brasil, Peru e Paraguai) e foi difundido principalmente por missionários.

Sumé é citado quase sempre em relação a antigas marcas em pedras, freqüentemente petroglifos intencionalmente criados por culturas pré-históricas, desde “pegadas” quanto pinturas diversas interpretadas como “letras”. Em alguns casos, podem ser simples marcas naturais que por acaso assemelham-se a pegadas humanas.

Tais marcas eram muito mais disseminadas quando por aqui chegaram os jesuítas, mas o costume dos colonos de raspar as lajes para guardar seus fragmentos como amuletos ou talismãs destruiu muitas delas e o progresso acelerou a destruição de outras.

Atualmente, podemos encontrar estes petroglifos no Piauí em Domingos Mourão, Inhuma, Piripiri, Pimenteiras; em São Gabriel da Cachoeira (Amazonas); em  São Tomé das Letras (Minas); em Ingá (Paraíba); em  Altinho (Pernambuco); em Carolina (Maranhão), entre outras.

Os nativos, na época, atribuíam tais marcas ao misterioso estrangeiro a quem chamavam de Sumé, que um dia esteve entre eles em missão civilizadora. Por semelhança fonética, os jesuítas o identificaram a São Tomé, tido como o “Apóstolo das Índias”, concluindo que a palavra de Jesus já fora ouvida nesta terra em tempos passados.

Em alguns lugares do Brasil, como em São Gabriel da Cachoeira, no rio Negro (Amazonas), os moradores, ainda hoje, depositam velas e fazem preces em torno de uma forma de pegada feita em uma rocha. Uns a atribuem a um anjo, outros a São Tomé, ou Pai Sumé. Nas costas da Bahia, por exemplo, gente simples do povo, também se diverte  percorrendo as escarpas marinhas, onde se supõe terem ficado os indícios da fuga de Sumé.  O interessante é que petróglifos no mesmo estilo são encontrados na Bolívia e Peru…

Leia mais sobre  os Segredos de Sumé no artigo; “Sumé, o maior herói dos indígenas brasileiros” que sugere a leitura do livro de Marco Moretti.

Feliz Aniversário

Hoje, comemoramos  uma data importante para os pacientes do CAPS: os aniversariantes do mês de julho.

Romário e Josefa

Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade – Carlos Drummond de Andrade

Viveiro de Mudas

Pacientes e equipe técnica do CAPS  juntamente com as monitoras  do PASCAR (Programa de Ações Sustentáveis  para o Cariri) da UFCG – Campus de Sumé voltando as atividades no Viveiro de Mudas.

Salvar

Desemprego e agravos à saúde mental

“Desemprego: da crise a oportunidade de crescimento”  é um livrinho da  advogada e psicóloga Rosy Rodrigues, coordenadora do GAP (Grupo de Apoio Psicoprofissional) de Garulhos,  que aborda os impactos psicológicos e sociais do desemprego. Na verdade, é um manual do desempregado, segundo a autora. Para ela, o momento do desemprego é um momento de luto e causa transtornos graves na autoestima.

De acordo com Letícia Ribeiro e Janine Kieling  no texto “Refletindo sobre desemprego e agravos à saúde mental”, o trabalho constituiu-se para as pessoas como um verdadeiro sentido de vida, visto que, em muitas situações, elas passam a maior parte de seu tempo trabalhando, mais do que vivenciando situações fora do espaço de trabalho.

O trabalho, ao produzir na pessoa um sentido de inclusão social, revela quanto a sociedade dá importância àquelas que estão produzindo, destacando a pessoa que tem vínculo empregatício, salário fixo e estabilidade. Porém, o fato de não estar trabalhando, leva a todos a enfrentar um processo de desvalorização social.

Para as autoras, além da importância social, o trabalho é representado na  vida do sujeito como fonte de subjetivação. Desta forma, o trabalho é considerado como objeto de desejos e de aspirações das pessoas, inscrevendo o ser humano nas relações com seus semelhantes e o seu auto conceito. Assim, o ambiente de trabalho pode ser uma fonte de reconhecimento e troca de afetos.

O  modelo econômico excludente, proporciona ao trabalhador um sentimento de culpa por estar desempregado e até mesmo desqualificado para o mercado, gerando sentimentos de fracasso e baixa autoestima.  Percebe-se, então, que esse sentimento de fracasso pessoal vem acompanhado de variadas consequências psicológicas, que dizem respeito à saúde mental, sendo sinônimos de insegurança, depressão e isolamento.

A saúde física, portanto, torna-se alvo consequente do desemprego, contudo, os comprometimentos mostram-se extensivos à saúde mental e aos relacionamentos sociais.

O desemprego é causa de sofrimento e doenças na medida em que desorganiza as relações familiares, quebra os laços afetivos, gera relações conflituosas, que, em alguns casos, culmina com separações, retorno da família à cidade de origem e intensificação de doenças preexistentes ou aparecimento de novas doenças.

A pessoa desempregada torna-se aquela que vivencia a falta de renda, a exclusão do mundo do trabalho e que vive à margem da sociedade, por não ser reconhecida como um cidadã ativa e produtiva.

Segundo conclusões dos estudos de Letícia Ribeiro e Janine Kieling,  as consequências adversas do desemprego podem acarretar a desestruturação de laços sociais e afetivos, a restrição de direitos, a insegurança socioeconômica, a redução da autoestima, o sentimento de solidão e fracasso, o desenvolvimento de distúrbios mentais, bem como o aumento do consumo ou dependência de drogas.

Portanto para elas, a situação do desemprego, sob a ótica de outro âmbito, pode também proporcionar outra possibilidade: fazer os sujeitos olharem para si mesmos, sendo que, muitas vezes, esse movimento é feito pela primeira vez nessa situação de perda de emprego.

Dessa condição pode emanar uma inusitada possibilidade de liberdade e autonomia frente ao futuro, ampliando, assim, os limites antes impostos pelo “ser-trabalhador”, uma vez que o trabalho ao mesmo tempo em que sustenta e forma identidade, também a engendra. Desta forma, o desemprego pode oportunizar uma reconstrução, propiciando possibilidades de ressignificação da vida e do trabalho.

Neste sentido, para a psicóloga Rosy, é importante neste contexto de perca de emprego, cultivar pensamentos mais fortalecedores que  levem a pessoa a agir do que pensamentos limitadores que induzem a doença psíquica. Segundo ela, o fundamental nesta situação de crise é você parar para pensar como você constrói o seu cotidiano; que pensamentos e atitudes você cultiva.

Divanicio Pessoa
Coordenador e Psicólogo

Loucura e Democracia

Faixa antimanicomial 2017 3,0x0,80

Esta semana saiu a programação da VII Semana Estadual da Luta Antimanicomial e o CAPS I de Sumé participa deste evento tão importante para a saúde mental.

O 18 de Maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e o CAPS I – Estação Novos Rumos realiza a VII Semana Municipal da Luta Antimanicomial com a mesma ideia proposta pela Coordenação de Saúde Mental do Estado cujo tema é: “LOUCURA E DEMOCRACIA: A LUTA CONTINUA”.

A Secretaria Municipal de Saúde mais uma vez investe em ações de conscientização da necessidade de  atenção as pessoas com transtorno mental grave e sofrimento psíquico persistente.  Confira aqui a Programação dos Serviços de Saúde Mental do Estado da Paraíba: Programação VII SEMANA ESTADUAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL 2017