Desemprego e agravos à saúde mental

“Desemprego: da crise a oportunidade de crescimento”  é um livrinho da  advogada e psicóloga Rosy Rodrigues, coordenadora do GAP (Grupo de Apoio Psicoprofissional) de Garulhos,  que aborda os impactos psicológicos e sociais do desemprego. Na verdade, é um manual do desempregado, segundo a autora. Para ela, o momento do desemprego é um momento de luto e causa transtornos graves na autoestima.

De acordo com Letícia Ribeiro e Janine Kieling  no texto “Refletindo sobre desemprego e agravos à saúde mental”, o trabalho constituiu-se para as pessoas como um verdadeiro sentido de vida, visto que, em muitas situações, elas passam a maior parte de seu tempo trabalhando, mais do que vivenciando situações fora do espaço de trabalho.

O trabalho, ao produzir na pessoa um sentido de inclusão social, revela quanto a sociedade dá importância àquelas que estão produzindo, destacando a pessoa que tem vínculo empregatício, salário fixo e estabilidade. Porém, o fato de não estar trabalhando, leva a todos a enfrentar um processo de desvalorização social.

Para as autoras, além da importância social, o trabalho é representado na  vida do sujeito como fonte de subjetivação. Desta forma, o trabalho é considerado como objeto de desejos e de aspirações das pessoas, inscrevendo o ser humano nas relações com seus semelhantes e o seu auto conceito. Assim, o ambiente de trabalho pode ser uma fonte de reconhecimento e troca de afetos.

O  modelo econômico excludente, proporciona ao trabalhador um sentimento de culpa por estar desempregado e até mesmo desqualificado para o mercado, gerando sentimentos de fracasso e baixa autoestima.  Percebe-se, então, que esse sentimento de fracasso pessoal vem acompanhado de variadas consequências psicológicas, que dizem respeito à saúde mental, sendo sinônimos de insegurança, depressão e isolamento.

A saúde física, portanto, torna-se alvo consequente do desemprego, contudo, os comprometimentos mostram-se extensivos à saúde mental e aos relacionamentos sociais.

O desemprego é causa de sofrimento e doenças na medida em que desorganiza as relações familiares, quebra os laços afetivos, gera relações conflituosas, que, em alguns casos, culmina com separações, retorno da família à cidade de origem e intensificação de doenças preexistentes ou aparecimento de novas doenças.

A pessoa desempregada torna-se aquela que vivencia a falta de renda, a exclusão do mundo do trabalho e que vive à margem da sociedade, por não ser reconhecida como um cidadã ativa e produtiva.

Segundo conclusões dos estudos de Letícia Ribeiro e Janine Kieling,  as consequências adversas do desemprego podem acarretar a desestruturação de laços sociais e afetivos, a restrição de direitos, a insegurança socioeconômica, a redução da autoestima, o sentimento de solidão e fracasso, o desenvolvimento de distúrbios mentais, bem como o aumento do consumo ou dependência de drogas.

Portanto para elas, a situação do desemprego, sob a ótica de outro âmbito, pode também proporcionar outra possibilidade: fazer os sujeitos olharem para si mesmos, sendo que, muitas vezes, esse movimento é feito pela primeira vez nessa situação de perda de emprego.

Dessa condição pode emanar uma inusitada possibilidade de liberdade e autonomia frente ao futuro, ampliando, assim, os limites antes impostos pelo “ser-trabalhador”, uma vez que o trabalho ao mesmo tempo em que sustenta e forma identidade, também a engendra. Desta forma, o desemprego pode oportunizar uma reconstrução, propiciando possibilidades de ressignificação da vida e do trabalho.

Neste sentido, para a psicóloga Rosy, é importante neste contexto de perca de emprego, cultivar pensamentos mais fortalecedores que  levem a pessoa a agir do que pensamentos limitadores que induzem a doença psíquica. Segundo ela, o fundamental nesta situação de crise é você parar para pensar como você constrói o seu cotidiano; que pensamentos e atitudes você cultiva.

Divanicio Pessoa
Coordenador e Psicólogo

Loucura e Democracia

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Esta semana saiu a programação da VII Semana Estadual da Luta Antimanicomial e o CAPS I de Sumé participa deste evento tão importante para a saúde mental.

O 18 de Maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e o CAPS I – Estação Novos Rumos realiza a VII Semana Municipal da Luta Antimanicomial com a mesma ideia proposta pela Coordenação de Saúde Mental do Estado cujo tema é: “LOUCURA E DEMOCRACIA: A LUTA CONTINUA”.

A Secretaria Municipal de Saúde mais uma vez investe em ações de conscientização da necessidade de  atenção as pessoas com transtorno mental grave e sofrimento psíquico persistente.  Confira aqui a Programação dos Serviços de Saúde Mental do Estado da Paraíba: Programação VII SEMANA ESTADUAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL 2017

Encontro de Coordenadores de CAPS

No início de abril, a Secretaria Municipal de Saúde de Sumé promoveu, através da coordenação do CAPS I – Estação Novos Rumos, o I Encontro de Coordenadores de CAPS do Cariri Paraibano.

O evento aconteceu no auditório do PSF IV com a presença de coordenadores e profissionais dos CAPS I de Sumé, CAPS I  e  CAPS ad III de Monteiro, CAPS I da Prata, CAPS I de São João do Cariri e uma profissional de Serra Branca responsável pela articulação do CAPS I daquela cidade.

Este evento foi muito importante para avaliação dos serviços de saúde mental na 5ª Região de Saúde e  articulação da RAPS – Rede de Atenção Psicossocial do Cariri Paraibano. Foi um momento para os profissionais se conhecerem e compartilhar suas experiências com os serviços substitutivos, assim como discutir os avanços e dificuldades da nossa realidade.

Enfrentamento à Psicofobia

12 de abril, é o “Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia”. A proposta (PLS 263/2014) estabelece o dia 12 de abril como um dia para combater o preconceito contra quem possui doença ou transtorno mental. Na verdade, a Associação Brasileira de Psiquiatria instituiu Abril o “Mês Nacional de Combate à Psicofobia” e o Senado aprovou em 2016 a criação do “Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia”. A data escolhida foi o dia 12 de abril.

A data propõe para que as pessoas se conscientizem sobre as doenças mentais, tanto para que não tenham receio de procurar ajuda médica e dos Serviços de Saúde Mental como os CAPS, quanto para diminuir os estigmas sofridos com quem convive com os transtornos mentais e sofrimentos psíquicos.

Entre as dez maiores causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são transtornos mentais, como depressão e ansiedade, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. No entanto, o preconceito e a falta de informação dificultam o diagnóstico, pois as pessoas evitam procurar tratamento porque temem o estigma de doente mental.

As doenças psiquiátricas geralmente chamam a atenção das pessoas, seja por histórico na família, casos próximos, polêmicas e preconceitos envolvidos, ou ainda quando se foi diagnosticado com uma enfermidade mental. A Campanha busca sensibilizar as pessoas por essas temáticas e conscientizar que todos estamos sujeitos a ser acometidos por algum transtorno mental ou sofrimento psíquico. Precisamos nos envolver com esta Campanha da Psicofobia que trata dos direitos humanos e preconceito com relação ao sofrimento psíquico.

Os profissionais que trabalham no diagnóstico, tratamento e, em suma, para diminuir os estigmas que seus pacientes sofrem, bem como promover uma melhor qualidade de vida deles, são os médicos psiquiatras e psicólogos. O SUS disponibiliza serviços públicos para tratamento das doenças mentais através das Redes de Atenção Psicossocial. Um destes serviços são os CAPS. Hoje existem cerca de 2.300 CAPS espalhados pelo país.

Doenças psiquiátricas são mais comuns do que se imagina, mas elas não definem o que a pessoa é. Durante o “Mês Nacional de Enfrentamento à Psicofobia”, a intenção é mostrar a importância da autovalorização da pessoa que tem ou teve algum tipo de transtorno mental e reforçar que atitudes discriminatórias são inaceitáveis. Combater o preconceito e contribuir para uma sociedade mais justa é missão de todos nós.

Entendemos que diminuindo o preconceito, podemos fazer com que outras pessoas também procurem ajuda dos Serviços de Saúde Mental como os CAPS. Um diagnóstico precoce é essencial para um bom desempenho do tratamento.

Depressão: vamos conversar

Para abordar sobre esta psicopatologia tão presente na nossa sociedade hodierna e proposto pela OMS para ser tema do Dia Mundial da Saúde – 07 de abril – trazemos um texto de Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil:

A depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto. Essa é a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje. A doença, segundo a entidade, afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

“No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, destacou a OMS. “Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”, completou a entidade.

Números em ascensão

O número de pessoas que vivem com depressão, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou ainda que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Depressão no Brasil

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices de depressão em sua população – 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.

Falhas no acesso ao tratamento

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Saúde Mental no Brasil

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Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde analisou como anda a saúde mental no globo. O  relatório com dados alarmantes sobre a depressão e ansiedade aponta  ainda resultados preocupantes  sobre a saúde mental no Brasil.

Para se inteirar das estimativas da saúde mental no mundo e no país, confira o artigo escrito por Ana Luísa Moraes  no mês passado para a coluna SAÚDE da revista Abril que transcrevemos aqui:

Nos últimos dez anos, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% — hoje, isso corresponde a 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. Os dados vieram à tona em um relatório recente realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para piorar, os brasileiros estão levando esses índices para o alto. No nosso país, 5,8% dos habitantes sofrem com a desordem, a maior taxa do continente latino-americano. A faixa etária mais afetada varia entre 55 e 74 anos.

“Apesar de a depressão atingir sujeitos de todas as idades, o risco se torna maior na presença de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de relacionamento, doenças e uso de álcool e de drogas”, atesta o relatório.

O Brasil também é campeão mundial no índice de ansiedade: 9,3% da população manifesta o quadro. Essa disfunção engloba várias outras, como ataques de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, fobias e estresse pós-traumático.

O sexo feminino é o que mais sente as consequências — 7,7% das mulheres são ansiosas e 5,1% são depressivas. Quando se trata dos homens, a porcentagem cai para 3,6% em ambos os casos.

O documento ainda mostra uma possível causa para a taxa elevada de problemas mentais que o mundo presencia atualmente: “Esse crescimento é sentido principalmente em países com menor renda, porque a população está aumentando e mais gente está vivendo até a idade em que depressão e ansiedade são mais comuns”.

Os Cafuçus do CAPS 2017

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O desfile do Bloco CAPSÇUS: os Cafuçus do CAPS aconteceu nesta manhã de quarta-feira, dia 22/02 com muito frevo.  A concentração foi na frente do CAPS com animação da banda de frevo da filarmônica. Em seguida percorremos as principais ruas do bairro Várzea Redonda.

O tema este ano foi: “Deixe sua Máscara Cair”. Deixe cair a máscara da inveja, preconceito, falsidade, mentira, etc.  E seja mais feliz.

Agradecemos a presença da Secretária de Saúde, Alessandra Regina; Secretária de Assistência Social, Tanniery Lêla; dos profissionais do CREAS e familiares.

Confira mais fotos na nossa página do Facebook.

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